Integridade pode melhorar resultados da gestão municipal e será tema de transmissão do Coneci-MG
Encontro reúne especialistas para discutir governança, riscos e os impactos da Resolução nº 305/2025 do CNMP na administração pública
Mais do que criar normas, códigos de conduta e mecanismos de fiscalização, consolidar uma cultura de integridade nos municípios pode ter reflexos diretos na qualidade da gestão pública. Decisões mais seguras, prevenção de riscos, fortalecimento dos controles internos e melhor utilização dos recursos públicos estão entre os resultados esperados quando princípios de ética, governança e integridade deixam de existir apenas no papel e passam a orientar a rotina da administração.
O tema estará no centro da transmissão “Governança, Integridade e Riscos”, promovida pelo Conselho Estadual de Controle Interno de Minas Gerais (Coneci-MG) e pelo escritório Pironti+Moura, no dia 8 de outubro, às 14h. O encontro será transmitido pelos canais do Conselho e reunirá especialistas das áreas de controle, governança, gestão de riscos e comportamento organizacional.
Participam da discussão Júnia Camargo, presidente do Coneci-MG; Rodrigo Pironti, sócio-fundador e CEO do Pironti+Moura; Daniel Lança, sócio-diretor de Gestão de Riscos do Pironti+Moura; e Odilon Cunha, sócio-diretor do Grupo Comportamento – Integra Culture. A apresentação será da jornalista Thais Venturatto.
Da conformidade à mudança de cultura
A discussão ganha relevância a partir da Resolução nº 305/2025 do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP). Em vigor desde 2025, a norma estabelece diretrizes para a atuação preventiva do Ministério Público em defesa da probidade administrativa, incluindo o fomento à implantação de programas de integridade na administração pública.
Entre os parâmetros estabelecidos estão o comprometimento da alta administração, códigos e padrões de conduta, capacitação periódica, gestão de riscos, controles internos, comunicação, monitoramento e auditoria. A resolução também destaca comportamentos éticos, transparência, prestação de contas e aplicação eficiente dos recursos públicos.
A perspectiva reforça uma atuação que não se limita à identificação e responsabilização por irregularidades depois que elas acontecem. O desafio passa também pela criação de mecanismos capazes de antecipar riscos, prevenir problemas e aprimorar processos e decisões na gestão pública.
É nesse contexto que a cultura organizacional ganha importância. Um programa de integridade pode cumprir formalmente uma série de requisitos e, ainda assim, produzir poucos resultados se ética, prevenção e responsabilidade não estiverem incorporadas às decisões cotidianas de gestores e servidores.
“Quando falamos de integridade, não estamos falando apenas de cumprir uma exigência normativa. Estamos falando de criar estruturas que ajudem o gestor a tomar decisões melhores, identificar riscos antes que eles se transformem em problemas e fortalecer a confiança na administração pública. O controle interno precisa estar cada vez mais próximo da gestão e atuar também de maneira preventiva”, afirma Júnia Camargo, presidente do Coneci-MG.
Parceria pretende apoiar os municípios
O debate integra uma agenda mais ampla iniciada pelo Coneci-MG e pelo Pironti+Moura. As instituições formalizaram uma cooperação voltada ao fortalecimento da integridade nos municípios mineiros, aproximando conhecimento técnico, diagnóstico e metodologias da realidade das administrações municipais.
A iniciativa parte da compreensão de que a efetividade de um programa depende não apenas da existência de regras e controles, mas também de liderança, comportamento, percepção de riscos, incentivos e processos de tomada de decisão.
A parceria busca, assim, auxiliar os municípios na implementação de programas de integridade e práticas efetivas, contribuindo para a conformidade com as diretrizes estabelecidas pela Resolução nº 305 do CNMP e, principalmente, para que essas medidas ultrapassem o caráter formal e sejam incorporadas à rotina da administração.
“Um programa de integridade efetivo não pode ser construído apenas para atender formalmente a uma norma. A Resolução 305 reforça a necessidade de estruturas reais de prevenção, gestão de riscos, controles e comprometimento da alta administração. Quando isso se transforma em cultura, a integridade deixa de representar apenas conformidade e passa a contribuir para a eficiência, para a segurança das decisões e, principalmente, para melhores resultados entregues à sociedade”, afirma Rodrigo Pironti, sócio-fundador e CEO do Pironti+Moura.
A própria Resolução nº 305 relaciona os programas de integridade ao aprimoramento da governança, da gestão de riscos e dos controles, além da adoção de boas práticas de gestão pública, transparência e aplicação eficiente dos recursos públicos.
Ao levar essa discussão aos municípios, Coneci-MG e Pironti+Moura ampliam o debate para além do cumprimento formal da norma. A proposta é contribuir para que integridade, governança e gestão de riscos se traduzam em práticas capazes de prevenir falhas, qualificar decisões, melhorar processos e produzir impactos positivos na gestão municipal e nos serviços entregues à população.
Serviço — Governança, Integridade e Riscos: a transmissão será promovida no dia 8 de outubro, quinta-feira, às 14h, pelos canais do Coneci-MG.