Coneci-MG e Pironti+Moura apresentam Observatório de Cultura de Integridade para fortalecer a gestão municipal
Webinar discutiu como comportamento, cultura, governança e gestão de riscos podem ser integrados para apoiar decisões mais seguras e estratégicas nos municípios
Como as pessoas tomam decisões dentro das organizações? O que influencia a percepção de riscos? E até que ponto políticas, normas e controles conseguem produzir uma cultura de integridade quando não dialogam com os comportamentos cotidianos?
Essas foram algumas das questões que nortearam o webinar “Governança, Integridade e Riscos”, promovido nesta quinta-feira (8) pelo Conselho de Controle Interno dos Municípios de Minas Gerais (Coneci-MG), em parceria com o Pironti+Moura e a Integra Culture.
O encontro marcou o lançamento do OCI – Observatório de Cultura de Integridade, uma solução desenvolvida para ampliar o olhar sobre a integridade nas organizações a partir da integração entre cultura, comportamento, governança e gestão de riscos.
A apresentação foi conduzida pela jornalista Thais Venturatto e contou com a participação de Júnia Camargo, presidente do Coneci-MG; Rodrigo Pironti, sócio-fundador e CEO do Pironti+Moura; Daniel Lança, sócio-diretor de Gestão de Riscos do Pironti+Moura; e Odilon Cunha, sócio-diretor do Grupo Comportamento – Integra Culture.
Integridade também é comportamento
Mais do que verificar se uma organização possui normas, políticas e controles, o OCI parte de uma pergunta fundamental: como esses mecanismos são vivenciados pelas pessoas que tomam decisões todos os dias?
A proposta considera que a cultura de integridade é construída justamente no encontro entre os aspectos formais da organização — como políticas, processos, controles e estruturas de governança — e fatores comportamentais e psicológicos, como práticas cotidianas, incentivos, liderança, percepção de riscos, vieses, julgamento e tomada de decisão.
“O que a gente propõe com esse produto é trazer àqueles que vão avaliar os sistemas de integridade não só mecanismos e metodologias de cultura que mudam os atos e os desvios de conduta no município, mas mecanismos de cultura que previnem a responsabilização do gestor”, destacou Rodrigo Pironti ao discutir porque comportamento e cultura de integridade precisam ocupar espaço central na gestão municipal e como novas ferramentas podem contribuir para a mitigação de responsabilidades e para a segurança dos gestores.
Segundo a metodologia apresentada, essa leitura permite compreender não apenas aquilo que está previsto nas normas, mas como as decisões são efetivamente tomadas dentro da organização.
É justamente nessa dimensão humana que está um dos diferenciais do produto. Desenvolvido a partir da metodologia Hearts & Minds (Corações e Mentes), adaptada ao contexto de integridade, o OCI busca identificar níveis de maturidade cultural, padrões de decisão, respostas aos riscos e ativadores de comportamentos de risco.
Transformar percepções em evidências
Se comportamento e cultura podem parecer temas subjetivos, o desafio passa a ser transformá-los em informações capazes de apoiar decisões.
Foi esse o ponto abordado por Odilon Cunha, ao explicar como o OCI trabalha essa dimensão. A solução integra pesquisa de autopercepção de cultura com lideranças, análise comportamental e leitura estratégica de riscos, construindo uma visão estruturada sobre os riscos de integridade associados à cultura organizacional.
No contexto municipal, essa perspectiva ganha ainda mais relevância. A existência de programas, estruturas e mecanismos de controle não é suficiente, por si só, para revelar como a integridade influencia a tomada de decisão, a percepção de riscos e os comportamentos organizacionais. O OCI propõe justamente conectar esses elementos em uma leitura estratégica.
“Quando a gente fala de comportamento, nós temos uma parte observável que é o ato, e tem uma parte que é não observável, que são os pensamentos, as emoções e os sentimentos. E por não conhecer como gerenciar esta parte não observável, a nossa tendência é controlar mais os atos. O que não tem problema. Mas, isso não gera maturidade, isso gera obediência”, explicou Odilon.
Do diagnóstico à ação
Identificar um risco é apenas o começo. Para que o diagnóstico produza transformação, é necessário convertê-lo em prioridades, decisões e ações concretas. Essa foi a discussão conduzida por Daniel Lança, que apresentou o caminho entre a identificação dos padrões culturais e a construção de respostas para os riscos encontrados.
“A gente consegue moldar o DNA de cultura de integridade das pessoas através das organizações também. A gente passa de contar com apenas vigilância, punição e controle que a gente vai adequar o comportamento das pessoas para conseguir criar uma cultura onde as pessoas pensam por si próprias. A partir daí, a gente vai diminuir a quantidade de controles para um ambiente de mais integridade”, afirmou Daniel.
A metodologia prevê cinco etapas: planejamento e enquadramento metodológico; pesquisa de cultura de integridade com as lideranças; análise de riscos de cultura de integridade; consolidação executiva e devolutiva; e, de forma opcional, uma oficina executiva de percepção de riscos.
Na terceira etapa, por exemplo, os resultados da pesquisa e das discussões com as lideranças são utilizados para qualificar e priorizar riscos culturais, considerando seu impacto decisório, a governança e o potencial de materialização. O resultado é uma Matriz Estratégica de Riscos de Cultura de Integridade.
Na etapa final, a proposta chega ao campo prático: por meio de dilemas, simulações e exercícios de tomada de decisão, a oficina executiva trabalha percepção de riscos, julgamento ético e decisões em contextos complexos, buscando aproximar discurso, decisão e prática.
Uma oportunidade de amadurecimento para os municípios
Para Júnia Camargo, presidente do Coneci-MG, a apresentação do OCI representa mais do que a disponibilização de uma nova ferramenta. É uma oportunidade para que os municípios mineiros olhem para dentro de suas próprias estruturas e avancem na construção de uma gestão mais madura.
“Queremos municípios dispostos a olhar para suas próprias estruturas, reconhecer vulnerabilidades, aperfeiçoar processos e, principalmente, trabalhar sua cultura institucional. Não estamos propondo simplesmente mais uma obrigação. Estamos propondo uma oportunidade de amadurecimento da gestão municipal.”
Júnia também destacou o papel do Coneci-MG como articulador desse processo: “E o papel do Coneci-MG é estar ao lado dos municípios nesse processo: aproximando conhecimento, compartilhando boas práticas, oferecendo ferramentas e criando condições para que essa transformação aconteça, respeitando as diferentes realidades de cada município.”
A proposta está alinhada a um movimento mais amplo de fortalecimento da integridade, da governança e da gestão de riscos na Administração Pública. A própria apresentação do OCI destaca a Resolução CNMP nº 305/2025, além de iniciativas como o Programa Time Brasil e ferramentas disponibilizadas pela CGU, como referências que contribuem para essa agenda. Nesse cenário, o Observatório se apresenta como uma ferramenta complementar, voltada a transformar fatores culturais e organizacionais em informações estratégicas para a gestão.
Cultura como parte da estratégia
O lançamento do OCI reforça uma mudança importante na forma de compreender a integridade. Em vez de tratá-la somente como um conjunto de regras a serem cumpridas, a proposta é incorporá-la ao modo como as organizações pensam, decidem e agem.
Na prática, o Observatório oferece à alta administração uma leitura estruturada dos riscos culturais e pode gerar indicadores capazes de transformar aspectos da cultura organizacional em dados estruturados e comparáveis, apoiando decisões de governança e direcionando ações prioritárias para a evolução institucional.
A parceria entre Coneci-MG, Pironti+Moura e Integra Culture coloca, assim, uma dimensão humana no centro da discussão sobre integridade pública: compreender que, por trás de cada processo, controle e decisão, existem pessoas, percepções, comportamentos e escolhas.
E olhar para esses elementos não significa abrir mão da objetividade. Significa criar novas formas de transformar aquilo que acontece no cotidiano das organizações em evidências capazes de orientar decisões, antecipar riscos e fortalecer a cultura de integridade nos municípios mineiros.
Confira a apresentação aqui
V3_Pironti+Moura e INTEGRA – Portfólio de OCI Público
O evento está disponível no Youtube, acesse: